terça-feira, 31 de janeiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O meu pai


... o meu pai gostava muito deste cato. Ofereceu-mo, e lá estava ele na varanda, inclinado, à procura de qualquer coisa que só ele sabia.

...um dia, já o meu pai não estava cá para ver, o meu cato disparou uma única flor, branca, grande, lindíssima, e nunca mais repetiu o gesto.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

vamos conversar...


O Carlos chamou-me do quarto e, com a autoridade dos seus 5 anos, disse:

...senta-te aí na cama e vamos conversar! Diz-me, porque não me deixas trazer a espada para dormir comigo?



Eu expliquei-lhe porquê!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Berlenga




Parti para Peniche onde dormi no Baleal. “Candidatei-me” a uma viagem à Berlenga, com dormida no forte abrigo, por dois dias. E aqui me tens, com o mar e as rochas à frente, golfinhos que passaram ao largo, gaivotas em grito, vozes afastadas e uma grande calma, musgosa, que me encharca a alma.
Quando cheguei, apanhei um pequeno barco que fazia a visita às grutas e me deixou no Forte. O Forte, renovado por fora e nas salas comuns, tem uns quartos tão pobres que mais parecem uma pequena cela de um missionário franciscano, promovido ao fundamentalismo doutrinário. Era pequeno, de paredes revestidas a pedra, limpo, com uma janela para o pátio e o mar. Do mobiliário, melhor será não falar, assim como da falta dele.. Lá dormi num saco cama improvisado pela Alice que, entre arroubos de sufragismo dos anos 60 e predicas astrológicas, me prevenira que a culpa era do Plutão, planeta dos escorpiões, que fora desclassificado... não se augurava nada de bom...
Almocei, de parceria com três pescadores, uma belíssima caldeirada de safio, raia e sargo.
Ninguém pergunta nada e tudo está bem, como se a natureza fosse razão suficiente para alguém procurar estar só.
Subi 300 e tal degraus e fui ao topo da ilha. Li um livro inteiro, tirei muitas fotografias e conversei com a máquina longamente. É uma companheira, com ela também damos satisfação ao mundo. Dirão “veio para tirar fotografias”...
Um grupo que filmava cenas do tipo “caça tesouros” , retirava coisas várias do mar, entre elas haveria também uma loura salva por um negro musculado...Falava-se português, inglês e alemão. A loura devia ser alemã. O musculado seria produto do Holmes Place. Cantaram até por volta da 1 ou 2 da noite, canções fora de moda (porque reconheci algumas), muito fado e até Zeca Afonso.
Hoje, de manhã, dizem-me que o barco que faz a ligação entre o Forte e o cais da Berlenga não trabalha, dado que a época acaba a 15 e já não há gente que justifique o trajecto. O homem partiu de férias para Peniche. Quem cá fica tem, na generalidade, barco próprio.
Explico ao Rui, um adolescente simpático que serve ao bar, limpa os quartos, carrega a água para um chuveiro improvisado (daqueles que devem existir nas caravanas...), que tenho mais uma noite e ia passar o dia de hoje no lado do cais. Que não havia problema, ele levar-me-ia quando fosse buscar o pão e, à tarde, eu que falasse com algum pescador que passasse pelo Forte e lhe pedisse boleia.
Não achei graça. Consigo estar comigo, com o livro ou com a máquina, acompanhada quanto baste por uma conversa ligeira com algum indígena, mas pedir boleia é que não!!
Então vim com ele e aqui estou a partir mais cedo, no último barco que hoje faça carreira para Peniche. Na praia, com duas gaivotas ao meu lado que me pedem comida, e três jovenzitos a brincar na água.
Esta é a parte estórica...
A outra parte, a que deixa musgosa a alma, pergunta:
Que se passa connosco, com todos nós que fizemos uma geração que queria viver, amar intensamente e construir um outro mundo ?
Estamos com o corpo a queixar-se e a alma espantada, pouco preparada para perceber onde falhámos.
A idade trata-nos mal. Não voltamos nunca às águas do mesmo rio e poluímos tanto a corrente que passa. E a memória é traiçoeira. Está demasiado perto, demasiado viva ...estraga, ofende, quando lembra.
Não me digam coisas bonitas. Estas são crises necessárias e de crescimento...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Percursos

Um dia a Joana contava-me as lágrimas com que regara, durante anos, aquela separação.

Afirmava-se curada.

Dizia-me que, presentemente, na "sepultura" colocara flores, mas de plástico, daquelas que não precisam mais de ser regadas.


Bom ano de 2012, Joana.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

uma tarde na praia


Houve um tempo em que os pombos voavam na minha rua, pousavam na minha janela e emprestavam à rua uma beleza que ela não tinha. Hoje são muito menos e há quem os considere uma praga. A minha rua ficou mais pobre.

Na praia, num dia calmo de outono, as gaivotas conquistaram as areias e lutam pelos restos de mais um dia de pesca. São aos milhares. Temo que alguém, um dia, também lhes chame praga.

uma tarde na praia

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

estratégias de um gato




O gato, o barco e a água. Como passar a terra firme.O gato procura uma saída, tenta a corda e enfrenta o medo ...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

o equilíbrio é instável, mas o gato avança...
nem sempre se pode ser bem sucedido! Recua!

estratégias de um gato


O gato vai começar de novo. A água sobe no barco e ele espreita outro ângulo, outra oportunidade.
não há dúvida, gato não gosta de água.
o barco afunda-se...e as oportunidades também.
vale a pena tentar o salto!

estratégias de um gato


do segundo barco para a plataforma foi fácil, desta para terra firme só há a distância de um novo e último salto.
sempre por pouco, a provar que não foi fácil.



O gato, a água e o barco. Uma metáfora sobre caminhos, oportunidades, medos, audácias, vencedores e vencidos....

be some one

be some one

be some one

sábado, 1 de outubro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Lisboa em festa





"... à janela, numa cabine, no mini mercado ou café, estas peças que falam de roubos, sustos, amores e humores..."


Lisboa em festa


"um programa para conhecer esta artéria nevrálgica da Mouraria ..."

Lisboa em festa





"...através do pretexto de encontrar o Teatro e a Dança que nela se escondem"





do programa da CML

sábado, 17 de setembro de 2011

Lisboa em festa


"Macondo é uma aldeia que aparece e desaparece. Um lugar levantado por um homem e uma mulher ao fugir do terror de uma superstição"...














Lisboa em festa





"Macondo é um estado de paixão, de guerra, de traição, de descobrimento, de milagre, de beleza, de crença, de solidão e de morte...."




Lisboa em festa







"...é uma roda que gira geração após geração, numa pequena humanidade duma história já escrita."

do programa da CML


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Encontro em S. Jacinto



Uma estalagem, uma noite serena, quase parada, num jardim virado à ria. ouve-se por largos momentos tocar o danúbio azul.

alguém dança na sala onde um casamento acontece.


e sem qualquer aviso, como quem acorda bruscamente, ao silêncio das águas e à suavidade daquela valsa, segue-se o Quim Barreiros que estremece o ar com o "cochicho da menina".


A festa continua e o casamento também.

Carlos



conheces a história da maria-dos-olhos-grandes e do zé-pimpão?
...
maria-dos-olhos-grandes tinha uns olhos grandes grandes que pareciam azeitonas...maria tinha um amigo chamava-se zé-pimpão...zé-pimpão era um miúdo de olhos piscos guedelhudo, zé-pimpão tinha nos olhos a cor do sol e do mar

...zé-pimpão levou maria a ver o mundo muito longe, zé-pimpão levou maria a ver os dois lados do mundo