quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 Abril 2012


...quando éramos pequenos, dizíamos:
"esta não valeu, comecemos de novo".

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Territórios


Há  muitos anos que não vinha aqui. Ouvem-se os pássaros e o vento canta entre as árvores. Não há casais recolhidos nos bancos encobertos do jardim. Deduzo que não precisam de se proteger dos olhos da cidade.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Territórios


São 10 horas. Estou no hospital, sala amarela. Enquanto a minha mão acaricia, de quando em vez, a barriga que me dói, passa-me uma parte deste mundo pelos olhos. Registo, sobretudo, um grito vindo de uma maca "Mãe!", di-lo duas vezes, desesperadamente, na solidão da sala cheia.

É um adulto a querer o colo da criança que foi, ou é uma criança a subir, alucinadamente, pelo corpo deste adulto.


Territórios



Os médicos têm um ar abandalhado, as calças verde alface, por baixo de uma bata às três pancadas, não ajudam.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Eu e os outros

Muito eu gosto de visitar, diariamente, o blog de Ana Cássia Rebelo - Ana-de-amesterdam. Gosto da forma como nos conta histórias, como nos faz crer que escrever é fácil, como bastaria saber ver, sentir e dizer.

A linguagem de Ana Cássia articula a crueza, a objectividade de um certa literatura contemporânea, com o discurso poético e lírico de uma grande sensibilidade.

Mas o que mais admiro em Ana de amesterdam é que escreve com a liberdade inscrita nas palavras.

quinta-feira, 22 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Percursos em festa

Eu e os outros




...no interior de um cemitério, uns sapatos vermelhos brilhavam nos pés da jovem cigana. A amiga, espantada com a minha admiração, chamou-me primeiro a atenção para os seus - sem laço, bem altos, mas um pouco mais sóbrios - e como não lhe mostrei o mesmo entusiasmo disse-me "olhe, pode comprar iguais àqueles por 5 euros nos chineses"

Territórios


... sem deuses, que seria dos homens? a quem pedir pelos filhos, pelo sol ou pela chuva, pelas colheitas ou pelo gado?

... a quem pedir pela vitória do partido ou do clube de futebol?


Haja Deus!?

Percursos no tejo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Percursos no tejo


...ti Luisa fez um filho nos embalos da maré .

À noite, prendia-o com um alfinete às suas roupas, não fosse a criança, enquanto dormiam, cair às águas do Tejo.

Territórios



Será que os palhaços são tristes?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Percursos no tejo



Como tudo, visto ao longe, até as chaminés e o fumo da indústria emprestam beleza à paisagem.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Percursos em festa




...são as mulheres que transportam as cestas à cabeça. Estranhamente, talvez a maioria nunca o tivesse feito antes.
O percurso longo, o sol forte de uma tarde de verão, não ajuda. Pergunto-me que força leva estas mulheres a aceitar um desafio, claramente doloroso, com laivos de penitência no seu belo ritual do pão?





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O meu pai


... o meu pai gostava muito deste cato. Ofereceu-mo, e lá estava ele na varanda, inclinado, à procura de qualquer coisa que só ele sabia.

...um dia, já o meu pai não estava cá para ver, o meu cato disparou uma única flor, branca, grande, lindíssima, e nunca mais repetiu o gesto.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

vamos conversar...


O Carlos chamou-me do quarto e, com a autoridade dos seus 5 anos, disse:

...senta-te aí na cama e vamos conversar! Diz-me, porque não me deixas trazer a espada para dormir comigo?



Eu expliquei-lhe porquê!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Berlenga




Parti para Peniche onde dormi no Baleal. “Candidatei-me” a uma viagem à Berlenga, com dormida no forte abrigo, por dois dias. E aqui me tens, com o mar e as rochas à frente, golfinhos que passaram ao largo, gaivotas em grito, vozes afastadas e uma grande calma, musgosa, que me encharca a alma.
Quando cheguei, apanhei um pequeno barco que fazia a visita às grutas e me deixou no Forte. O Forte, renovado por fora e nas salas comuns, tem uns quartos tão pobres que mais parecem uma pequena cela de um missionário franciscano, promovido ao fundamentalismo doutrinário. Era pequeno, de paredes revestidas a pedra, limpo, com uma janela para o pátio e o mar. Do mobiliário, melhor será não falar, assim como da falta dele.. Lá dormi num saco cama improvisado pela Alice que, entre arroubos de sufragismo dos anos 60 e predicas astrológicas, me prevenira que a culpa era do Plutão, planeta dos escorpiões, que fora desclassificado... não se augurava nada de bom...
Almocei, de parceria com três pescadores, uma belíssima caldeirada de safio, raia e sargo.
Ninguém pergunta nada e tudo está bem, como se a natureza fosse razão suficiente para alguém procurar estar só.
Subi 300 e tal degraus e fui ao topo da ilha. Li um livro inteiro, tirei muitas fotografias e conversei com a máquina longamente. É uma companheira, com ela também damos satisfação ao mundo. Dirão “veio para tirar fotografias”...
Um grupo que filmava cenas do tipo “caça tesouros” , retirava coisas várias do mar, entre elas haveria também uma loura salva por um negro musculado...Falava-se português, inglês e alemão. A loura devia ser alemã. O musculado seria produto do Holmes Place. Cantaram até por volta da 1 ou 2 da noite, canções fora de moda (porque reconheci algumas), muito fado e até Zeca Afonso.
Hoje, de manhã, dizem-me que o barco que faz a ligação entre o Forte e o cais da Berlenga não trabalha, dado que a época acaba a 15 e já não há gente que justifique o trajecto. O homem partiu de férias para Peniche. Quem cá fica tem, na generalidade, barco próprio.
Explico ao Rui, um adolescente simpático que serve ao bar, limpa os quartos, carrega a água para um chuveiro improvisado (daqueles que devem existir nas caravanas...), que tenho mais uma noite e ia passar o dia de hoje no lado do cais. Que não havia problema, ele levar-me-ia quando fosse buscar o pão e, à tarde, eu que falasse com algum pescador que passasse pelo Forte e lhe pedisse boleia.
Não achei graça. Consigo estar comigo, com o livro ou com a máquina, acompanhada quanto baste por uma conversa ligeira com algum indígena, mas pedir boleia é que não!!
Então vim com ele e aqui estou a partir mais cedo, no último barco que hoje faça carreira para Peniche. Na praia, com duas gaivotas ao meu lado que me pedem comida, e três jovenzitos a brincar na água.
Esta é a parte estórica...
A outra parte, a que deixa musgosa a alma, pergunta:
Que se passa connosco, com todos nós que fizemos uma geração que queria viver, amar intensamente e construir um outro mundo ?
Estamos com o corpo a queixar-se e a alma espantada, pouco preparada para perceber onde falhámos.
A idade trata-nos mal. Não voltamos nunca às águas do mesmo rio e poluímos tanto a corrente que passa. E a memória é traiçoeira. Está demasiado perto, demasiado viva ...estraga, ofende, quando lembra.
Não me digam coisas bonitas. Estas são crises necessárias e de crescimento...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Percursos

Um dia a Joana contava-me as lágrimas com que regara, durante anos, aquela separação.

Afirmava-se curada.

Dizia-me que, presentemente, na "sepultura" colocara flores, mas de plástico, daquelas que não precisam mais de ser regadas.


Bom ano de 2012, Joana.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011