quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O jornal




Tinha 20 anos e falava da fome, da pobreza, acendia-me em lutas por um mundo melhor…
Hoje cruzo-me com ela, todos os dias, entra-me pela casa enquanto janto, e sinto uma tristeza sem palavras e sem esperança.

Não sei se é da idade, mas hoje a pobreza agride-me.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tempo






Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo.



Carlos Oliveira, Trabalho Poético 2º vol.

sábado, 6 de outubro de 2012

Utopia


Entre portas


Adamastor





Havia algo na delicada ternura naquele amanhecer que lhe parecia inexplicavelmente comovente. Pensou, tristemente, em todos os dias que começam tão belos e e não merecem terminar em tempestade.

domingo, 30 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pas cette chanson


Ainda não tinha crescido quando o amor lhe aconteceu.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Assombrações



Espero por ti, um dia, num jardim de uma qualquer cidade. Terei tantos anos quantos a minha alma hoje sente... 

Baixinho ouvirei a música das palavras. 

E quando eu estiver com medo, tranquilizar-me-às, bebendo a água na minha face.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Quem cai de cabeça...

Aceito a ordem das coisas, a geometria imposta do quarto?        
Os objectos no seu lugar de sempre, a distância exacta da cadeira à mesa, do meiple à janela?
.....

Aceito a minha vida? Ou mexo no candeeiro, desvio-o alguns centímetros na mesa, altero a relação das coisas, afinal tão frágeis que o simples desvio de um objecto pode romper o equilíbrio?
Pego no telefone e grito ao primeiro desconhecido: ouves-me?
Ou deixo tudo tal como está, medido, quieto no rigor do quarto, e eu hesitante entre o soalho e o tecto?
Desloco o cinzeiro, sabendo que posso atar mandarins, provocar cataclismos, fracturas, amores, eclipses, sonhos, com a ponta dum dedo?
Ou apago a Lâmpada eléctrica e entro no mesmo torpor que as flores do tapete, a fruta dos quadros, o frio, o bolor, no chão, nas paredes.
....
Ou desencadeio a insurreição mudando de sítio o meiple, a cadeira, 
mudando-me a mim?

Carlos de Oliveira "O inquilino"


I love you Piny

 

Dizia-me, numa história que só as mulheres fabricam "só a pele se gasta, o amor continua a morder-nos através das sílabas".


Fim de Ciclo


Glórias passadas