segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Aparições


Gosto de paisagens húmidas, carregadas de fetos e mistérios. Gosto de regatos, da chuva miúda que escorre das folhas, das nuvens baixas que brincam entre as pedras...

Gosto de acreditar que há um tempo mágico, uma outra dimensão, onde as fadas e os elfos se escondem para nos encontrar.

Aparições


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O jornal




Tinha 20 anos e falava da fome, da pobreza, acendia-me em lutas por um mundo melhor…
Hoje cruzo-me com ela, todos os dias, entra-me pela casa enquanto janto, e sinto uma tristeza sem palavras e sem esperança.

Não sei se é da idade, mas hoje a pobreza agride-me.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tempo






Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo.



Carlos Oliveira, Trabalho Poético 2º vol.

sábado, 6 de outubro de 2012

Utopia


Entre portas


Adamastor





Havia algo na delicada ternura naquele amanhecer que lhe parecia inexplicavelmente comovente. Pensou, tristemente, em todos os dias que começam tão belos e e não merecem terminar em tempestade.

domingo, 30 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pas cette chanson


Ainda não tinha crescido quando o amor lhe aconteceu.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Assombrações



Espero por ti, um dia, num jardim de uma qualquer cidade. Terei tantos anos quantos a minha alma hoje sente... 

Baixinho ouvirei a música das palavras. 

E quando eu estiver com medo, tranquilizar-me-às, bebendo a água na minha face.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Quem cai de cabeça...

Aceito a ordem das coisas, a geometria imposta do quarto?        
Os objectos no seu lugar de sempre, a distância exacta da cadeira à mesa, do meiple à janela?
.....

Aceito a minha vida? Ou mexo no candeeiro, desvio-o alguns centímetros na mesa, altero a relação das coisas, afinal tão frágeis que o simples desvio de um objecto pode romper o equilíbrio?
Pego no telefone e grito ao primeiro desconhecido: ouves-me?
Ou deixo tudo tal como está, medido, quieto no rigor do quarto, e eu hesitante entre o soalho e o tecto?
Desloco o cinzeiro, sabendo que posso atar mandarins, provocar cataclismos, fracturas, amores, eclipses, sonhos, com a ponta dum dedo?
Ou apago a Lâmpada eléctrica e entro no mesmo torpor que as flores do tapete, a fruta dos quadros, o frio, o bolor, no chão, nas paredes.
....
Ou desencadeio a insurreição mudando de sítio o meiple, a cadeira, 
mudando-me a mim?

Carlos de Oliveira "O inquilino"


I love you Piny

 

Dizia-me, numa história que só as mulheres fabricam "só a pele se gasta, o amor continua a morder-nos através das sílabas".


Fim de Ciclo


Glórias passadas