quinta-feira, 16 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alentejo em Maio


Se mais não levasse da vida, guardaria as cores e os cheiros das paisagens do meu país.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O petisco e a crise



... já sei que a fotografia não é lá grande coisa, mas só quero recordar que a tasquinha nem era má, os pastéis é que eram poucos!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Em boas mãos


Encontrar o riso esquecido,despreocupado, num dia de vento e frio. Sentir o prazer da mesa,da sopa de couves, do peixe frito com batatas cozidas.

Estar entre amigos, foi bom!

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Pavão




Pergunto-me o que faltará a esta ave para, quando pretende cortejar a fêmea, ter tido necessidade de desenvolver uma tão desmesurada estratégia de cor e beleza.

Sombras do jardim


Quem fez ao sapo o leito carmesim
de rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
e perfumou as sombras do jardim?

Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu esses cabelos de rainha
ao girassol? Quem fez o mar? E a minha alma
a sangrar? Quem me criou a mim?

Quem fez os homens e deu vida aos lobos?
Santa Teresa em místicos arroubos?
Os monstros? E os profetas? E o luar?

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
-sem nos dar braços para os alcançar?

Florbela Espanca "Charneca em Flor"

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Árvore ou baloiço na terra das fadas

 Hoje, quando a vida me dói, procuro no reino das fadas e dos elfos a respiração de uma outra verdade. "O essencial é invisivel para os olhos" e eu fabrico, e agasalho-me, neste novo lado da história, como se de uma vida paralela se tratasse...

O vazio do cais


Hoje, ninguém ocupa este espaço!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sabedoria


"penso devagar, porque o meu pensamento é grande!"

" o avô é uma criança grande, e eu sou um adulto pequeno" 


Carlos

Esquecimentos



- Carlos, já fizeste os trabalhos da escolinha?

- Já me deslembrava...

Cristo não passou por Eboli



     




                








História dedicada à Rosa...

O Carlos descrevia-me os animais que havia na quinta do avô P. em Cacela: galinhas, ovelhas, um burro, uma égua e um gato que teria, entretanto, morrido atropelado na estrada.
- Sabes, e lá na minha casa também desapareceu o “meia antena” (nome atribuído a um de dois gatos, em função da meia cauda do bicho) e deve também ter sido atropelado…
desdramatizei:
- olha, foi levado por alguém que o encontrou na rua, que gosta muito de gatos e, agora, é feliz numa outra casa. …
 para reforçar:
- lembras-te da Rosa que conheceste um dia, no Alentejo? tinha 3 cães, todos apanhados na rua, abandonados, e que hoje são felizes... com o meia antena aconteceu, de certeza, o mesmo…

-não eram três cães, eram quatro!  … mas, sabes, eu acho que a Rosa não passou por aqui!
… e continuo a pensar que o meia antena deve é ter sido atropelado!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Ernesto



O Ernesto faz parte daquele universo. É um belo exemplar da sua raça que, contam as más línguas, tal como um bom macho latino, não pode ver uma burra sem saias, pelo que tem direito a casa própria, separado das suas congéneres, olhando-as ao longe e sonhando com o dia do almejado encontro.

O Ernesto, neste domingo, iluminara-se com um ramito de flores amarelas, aceitava pacientemente as festas com que o presenteavam, enquanto resmungava por cada ave libertada após a medição, pesagem e colocação do anel de prata.

As aves partiam ao sabor do vento e, quem sabe, do acasalamento.

O Ernesto, por agora, esperava.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

sábado, 29 de dezembro de 2012

A tia Júlia


Hoje a tia Júlia fez 17 anos. Comprou uns brincos grandes e vermelhos com que se enfeitou, calçou sapatos de pequenos saltos, saia branca travada, e saiu para as ruas floridas da sua cidade.
Foi assim que a viram e nunca mais a esqueceram...

Para a tia Júlia, agora, os anos eram já dias de inverno  em que o sol se escondia às 5 da tarde.

O tempo marcara-lhe a alma, mas compensava-o com o rejuvenescimento progressivo da memória.
Cada dia a tia Júlia estava mais próxima de nascer.


Travessia


Encontraram-se na primavera, quando a terra não sabe das flores mais do que a força de as sentir nascer.

Não perceberam a súbita mudança para o verão, quando as amoras se tornaram maduras e um fogo antigo ardia naqueles dias longos.

Entretanto, procuram-se nos pássaros que de dia atravessam os céus, e à noite dormem nas estrelas a caminho de uma nova estação.


Ti Ricardina e o mar


Ti Ricardina desfiava histórias na praia de Vila Chã. Contava-as rezando memórias de quem desdramatiza o que foi dor ou perda, talvez porque constituíram vida. E da vida sempre se vive com saudade.

Ali, onde as ondas musicavam as suas lembranças, Ti Ricardina contava os vivos descontando os mortos, recordava o Zé que, após o naufrágio, "saiu direitinho junto a casa dele" concluindo que a morte não o fizera esquecer o caminho.

Acabava uma história acrescentando-lhe um ensinamento, como quando lembrou o marido, falecido há poucos anos, que nas lides da pesca e à proa do barco dizia:
"Ó Mar, acalma-te! Deixa-me passar! Obedece a Jesus que o Senhor também obedeceu à cruz!"
sentenciava, então:
"Nunca se vira as costas ao mar, porque o mar é vivo e quer que se fale com ele."

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu e os outros

Das estrelas diria que são gente perdida no instante de uma vida. Cruzaram-se connosco, calcificaram memória e volatilizaram-se. Não têm corpo, não são presença, não são gosto nem desgosto. São ausência dorida.
Destes desejaria saber a história, perguntar-lhes como habitaram os seus dias, como e o que escreveram nas linhas das suas mãos, como entrançaram destinos, como viveram as palavras e os projetos que sonharam.
Entretanto, iluminam o universo e cruzam-se connosco em noites de insónia.
E porque são mais efémeros os encontros do que a própria vida, hei-de saber guardar comigo todos aqueles que, ainda hoje, não perdi.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Conversa entre mulheres


Fomos almoçar em grupo, a Emília, simpaticamente, disse-me:

- A ti, encontro-te sempre na mesma!

respondi:

- Quando os homens deixam de nos dizer estas coisas, ainda bem que as mulheres se confortam...

Conclui a Emília:

- Não ligues, a partir de certa idade eles têm cataratas!

Aparições


Caem
do céu calcário,
acordam flores
milénios depois,
rolam
de verso
em verso
fechadas
como gotas,
e ouve-se
ao fim
da página
um murmúrio
orvalhado.


Carlos de Oliveira (Trabalho Poético 2º Vol.)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Snoopy

Snoopy tem um dono

os amigos do senhor
fazem festas a Snoopy
e Snoopy lambe-lhes as mãos

são amigos do senhor

Snoopy é um cão treinado
não ladra, não usa trela
- o senhor gosta dele -
e ele não foge ao senhor

o senhor é um homem culto, bom,
que frequenta aulas da associação
protetora dos animais...

era feio Snoopy ir na rua com trela
O senhor só gosta de cães bem
educados!

Verão de 1980