quarta-feira, 20 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
Mãos sujas
O Carlos, depois de lhe mandar lavar as mãos, lambidas pelo cão, diz-me:
"G., as minhas mãos estão sujas de alegria, não percebes?
domingo, 26 de junho de 2016
Reflexões sobre um auto retrato
Agustina Bessa Luís num belo conto chamado “A
mãe do rio” diz : “a única solidão é aquela que não tem passado”.
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FotoEspanha,
Madrid 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
Eu e os outros
As pequenas histórias são, também, a nossa maior história. Escrevo mais esta para não esquecer...
Onde eu trabalhava, aparecia diariamente um homem que sofria de uma qualquer deficiência mental que não o impedia de nos prestar pequenos serviços (levar o correio, comprar o jornal...). Era acarinhado por todos e, sabíamos, protegido pelo sindicato que, inclusive, lhe dava dormida num sótão da sede.
Gostava, particularmente, de mim e eu correspondia como podia e sabia.
Passaram-se muitos anos, já eu mudara de trabalho e profissão, já esquecera o nosso homem, quando um antigo colega me veio entregar um poster, tamanho "gigante", com a minha cara quando jovem e ainda "bem parecida".
Explicação dada, o sindicato tinha oferecido, ao meu amigo, na brincadeira, uma reprodução gráfica do meu retrato que este conservara na parede até à hora da morte.
Não me lembro do seu nome e recordo tantos outros que nunca o mereceram.
Uma casa
Há pequenos pedaços de vida, lá atrás, que nos fazem sorrir. A primeira (?) casa que ousei querer comprar, era uma palafita à beira Tejo. Mais tarde foi objecto de uma brincadeira com direito a caricatura e oferecida pela nossa Coqueluxe, em que eu ostentava várias peculiaridades levadas ao exagero: o gosto pelos vestidos indianos, os brincos grandes, os colares, sapatos para várias ocasiões, dois pares de óculos (para os esquecimentos) e muitos isqueiros. Tudo isto e uma palafita.
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Carrasqueira
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Margaridas
Sonhei que estavas dormindo num campo de margaridas sonhando que me chamavas, que me chamavas baixinho para me deitar contigo num campo de margaridas. No sonho ouvia o meu nome nascendo como uma estrela, como um pássaro cantando.Mas eu não fui, meu amor, que pena! mas eu não podia, porque estava dormindo num campo de margaridas sonhando que te chamava que te chamava baixinho e que em meu sonho chegavas, que te deitavas comigo e me abraçavas macia num campo de margaridas.
Thiago de Mello
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Caneiras,
Santarém
quinta-feira, 24 de março de 2016
sábado, 24 de outubro de 2015
"Difícil fotografar o silêncio"
Regresso ao blog que não consigo encerrar. Criámos "laços" difíceis de partir.
Um blog transforma-se, com o tempo, num encontro connosco, e é penoso acordar só....continuará, então, a existir para pequenos textos que roubo à gaveta, ao silêncio dos dias ou ao rasgar do tempo.
Kantodafotografia será um novo lugar onde procuro mostrar (a algum extraterrestre que espreite núvens), as imagens que guardo na memória, sempre mais fiel, da minha máquina.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Despedida
“Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei/ lá tenho a mulher que eu quero/ na cama que escolherei”, (Manuel Bandeira)
Irei para uma ilha, acampar e andar descalça. Subirei ao alto para ver as tempestades, namorar com o faroleiro e abraçar a lua cheia.
Escreverei, então,cartas que envio ao mar em forma de barco, avião ou pássaro.
Voarei, sempre que quiser, nas asas de uma gaivota que terá
o nome dos meus amigos e dos meus amores.
O meu corpo saberá a mar e terá o cheiro bom das algas.
Um dia, talvez me nasçam barbatanas e uma cauda feita de
escamas. Virei a terra, passados anos, para te amar, dormir na praia e partir
pela manhã.
MM
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Verso de Manuel Bandeira
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Tempos Modernos
Ontem, perdi centenas de fotografias, textos, cartas e outros escritos pessoais que nunca divulguei. As nossas pequenas, tão pequenas, desgraças!...
Ao sabor da lua cheia
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.
"Quadrilha" de Carlos Drumond de Andrade
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Jardim D. Luís,
Lisboa 2014,
Mercado da Ribeira
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Are you a dream...?
Gostava e gosto de andar descalça. A minha avó não deixava. Aproveitava, então, a cumplicidade da Carolina, e depositava os sapatos na sua cesta, voltando a colocá-los à entrada da casa. Sabia-me bem o contacto com a terra.
Se pudesse, desejava ser, ainda hoje, a rapariga do graffiti.
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Lisboa,
Parque das Nações 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
as flores e a cidade - 3º andamento
"Wilhelm dedicava-se exclusivamente a um tema a que chamava o "silêncio dos escritores", passando quase todo o dia a ler e a reler os grandes clássicos com o propósito de identificar o que os respectivos autores não tinham escrito.
... Wilhelm parecia apostado em provar que a perícia de um escritor depende dos lugares mortos, dos cadáveres das palavras, e não daquilo que verdadeiramente está escrito."
Afonso Cruz " O pintor debaixo do lava- loiças"
Amar na cidade, 2º andamento
"Quando um autor escreve a palavra "árvore" não escreve, por consequência, uma série de outras que poderia ter escrito..."
Afonso Cruz "O pintor debaixo do lava-loiças"
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Alfama sto. Estevão,
Lisboa 2015
Amar na cidade
Temos de enforcar as palavras, dizia Wilhelm, para que elas, sem a sua garganta, digam o que escondem."
Afonso Cruz "O Pintor debaixo do lava-loiças"
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Alfama sto. Estevão,
Lisboa 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
Mulher Cigana - O telemóvel
Na planície alentejana esta mulher pediu-me um telemóvel. Para mim, um aparelho que encurta distâncias.
Decerto por não o ter, nunca mais nos encontrámos.
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Alentejo 2013
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Crianças ciganas - A laranja
O amado sabor de uma laranja
e a casa regressa. O mar entrava todo
por ela, vinha do sul, cheirava bem.
A árvore já não existe, no seu lugar
a melancolia está sentada.
Tem uns olhos imensos onde corre o vento
E na mão uma laranja
amarga
Eugénio de Andrade
Crianças ciganas
Cito, desconhecendo o autor, esta frase "nasci, pestanejei e morri".
Talvez, por isso, cada dia gosto mais de gente pequenina. É esta a geração que nos ressuscita. Não sei se para melhor, se para pior. Mas são, como sempre, a renovação da utopia.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
O pato sagrado
Era um pato pequenino, tão pequeno quanto eu, amarelo como uma gema de ovo, grasnando desesperado na varanda da casa. O meu pai, acompanhando-me no espanto e na alegria da descoberta, explicou-me ser a prenda de natal que o menino jesus deixara para mim.
Ainda hoje sei, sentida ou lembrada, a emoção de ter um pato que passara pelas mãos do menino jesus.
Nos dias seguintes, admirava-me que a vida continuasse o seu ritmo normal para os demais membros da família. Parecia ser eu a única a ver, naquele bichito que corria pela casa junto aos nossos pés e que, por via dos acidentes de percurso, andava sempre de patas entrapadas, o toque sagrado das mãos de um deus que se lembrara de mim.
Mais tarde, num tempo já sem deuses, dei um pato pequenino, tão amarelo quanto o primeiro, ao meu filho.
Talvez quisesse oferecer-lhe um momento breve, mas belo, de crença.
Ainda hoje sei, sentida ou lembrada, a emoção de ter um pato que passara pelas mãos do menino jesus.
Nos dias seguintes, admirava-me que a vida continuasse o seu ritmo normal para os demais membros da família. Parecia ser eu a única a ver, naquele bichito que corria pela casa junto aos nossos pés e que, por via dos acidentes de percurso, andava sempre de patas entrapadas, o toque sagrado das mãos de um deus que se lembrara de mim.
Mais tarde, num tempo já sem deuses, dei um pato pequenino, tão amarelo quanto o primeiro, ao meu filho.
Talvez quisesse oferecer-lhe um momento breve, mas belo, de crença.
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Arco 2014 _Madrid
quarta-feira, 15 de abril de 2015
O tempo
Penso nas histórias de horror que a televisão mostra entre duas partidas de futebol. Vejo, então, estarmos tão anestesiados que não sabemos mais chorar. Somos uma nova espécie de medusas gelatinosas, não damos à praia mas já estamos mortos.
Ultimamente sonho também que morro. E todas as noites retiro mais algum tempo à vida. Faço cálculos: meses, alguns anos (os últimos passaram tão depressa! durmo? estou acordada?) e um poço negro, pesado, vazio, aloja-se-me no peito e angustia-me.
..
Sou pequenina neste sonho, é inverno e procuro imaginar a primavera para forçar a lágrima. Recusa-se, então busco a memória da minha avó Hermínia, as maçãs sumarentas do poço, o rasto tão fantasioso dos sonhos da adolescência, as cartas trocadas e o tempo ingénuo das margaridas. Não crio, não projecto, aguardo...
Estou perto do choro, mas ainda não sou capaz!
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Salgueiros velhos,
Salvaterra de Magos 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Alegoria da caverna
A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que nasci,
distância imutável da minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me,
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou,
e não que me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim.
José Almada Negreiros "A sombra sou eu"
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que nasci,
distância imutável da minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me,
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou,
e não que me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim.
José Almada Negreiros "A sombra sou eu"
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Escaroupim,
Março2015
terça-feira, 10 de março de 2015
Travessia
Aos poucos desaparecem da nossa vida pessoas a quem amámos, de quem fomos amigas ou que simplesmente se cruzaram connosco.
Algumas imagino reencontrar quando observo, à noite, uma estrela no céu capaz de rir.
Outras partem simplesmente, deixando atrás de si um rasto de silêncio e desconforto. Espero, com o tempo, ouvir também o seu riso novo a encher o firmamento.
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Março 2015,
Vila Franca de Xira
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Legitimidade vs representação
Tsipras acordou os sonhos dos gregos, devolveu-lhes o orgulho de ser gente. Estremeceu a linguagem, lembrou anos antigos onde o discurso tinha o dom de acrescentar emoção ao governo da cidade.
Conta-se que um pequeno rato pode assustar o elefante...mesmo que por aí fiquemos!
E de utópico a radical de esquerda, todos os nomes são um elogio face à vergonhosa representação da "realidade" portuguesa.
Conta-se que um pequeno rato pode assustar o elefante...mesmo que por aí fiquemos!
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Centro Cultural de Belém,
Lisboa 2014
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Ameijoa do Tejo
Chegam em grandes filas à hora da maré encher, carregados de sacos e cansaços. Respondem, assim, ao desemprego e à austeridade .
Vistos de longe são pequenos pontos vergados sobre as areias e a lama do rio. Parecem pássaros, em busca de comida, ponteando a paisagem do Tejo.
A distância, como sempre, suaviza a imagem e empresta-lhe o lirismo que a realidade nega.
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Apanha da ameijoa,
Rio Tejo
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Caixa de correio
Meu amor na despedida
Nem uma fala me deu
Deitou os olhos ao chão
Ficou a chorar mais eu.
Demos as mãos na certeza
De que as dávamos amando,
mas, ai! aquela tristeza
Que há sempre neste "até quando?"
....
....
(das Canções de António Botto)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Van Gogh
Um homem e uma mulher. Dois gráficos.
A distância, espaço tempo, por dentro, adentro de mim.
Parede, muro branco, regresso onde me perco, por dentro, só dentro de mim.
A música, sentimento entre a palavra e o silêncio, por dentro, de dentro do tempo.
Dois gráficos, dois espaços, dois tempos, por dentro da casa, da parede, do muro, por dentro de dentro.
Movimento, momento, soluço e grito, de dentro, por dentro de mim.
O nada por nada dito, por dentro, de dentro, no encontro de ti.
Van Gogh, seara de vento, por dentro, adentro de mim.
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Rio Tejo
domingo, 14 de dezembro de 2014
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
O Ernesto e os malmequeres
Voltámos a encontrar o Ernesto. Sozinho, de novo, o que leva a crer que continua a não poder ver uma burra de saias. Mas para minha alegria, o Ernesto insiste em perder-se por um ramo de malmequeres...
Penso que o Ernesto, para além de comer flores, lê romances de amor e faz poesia nas horas vagas.
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Reserva do Samouco
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