quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Contrastes


A noite no alentejo




Aqui, no Alentejo, vejo um avião atravessar Orion.

Vejo uma imensidão de estrelas e constelações a brincarem comigo, lá no firmamento... juntá-las, dar-lhes nome, é um jogo entre mim e o céu.

Não, não é este o mesmo céu que cobre a minha cidade.

Não é!

domingo, 28 de julho de 2013

Há lodo no Cais - 1

Maré baixa. Dez da manhã. Um convite para uma fotografia diferente a partir das areias a descoberto.


Há quem, com o jeito de uma certa modernidade concorrencial, se aventure demais e não meça a consistência do solo… aí, meus amigos, quem chega tarde, como eu, perde a oportunidade de uma reportagem completa sobre os riscos e perigos desta vida.

Há lodo no Cais - 2







Dizem, pelo cais, que o fotógrafo se afundou na lama até onde as pernas terminam (confirmei, como se verifica), levantando ao ar a máquina, qual Camões a salvar as rimas.

Há lodo no Cais - 3






Mas, com o jeito que o desespero empresta, lá saiu o nosso homem do lodo e regressou, apoiado palas vozes de nacionais e estrangeiros, gente anónima que logo o convidou...

Há lodo no Cais - 4






… para um banho purificador nas águas límpidas do Tejo. 

Há lodo no Cais - 5









O nosso fotógrafo aliviado, tão limpo quanto possível!

Há lodo no Cais - 6





Num gesto solidário, ofereceu-se então uma mão amiga…

Há lodo no Cais - 7






…prontamente (?) aceite.

Há lodo no Cais - 8



E num “pas de deux” gracioso, comprometeram-se aos mais rasgados elogios a qualquer fotografia que um ou outro publicasse ou imprimisse, evitando assim os perigos da malfadada concorrência.

Há lodo no Cais - 9




Neste gesto último, que registei ao longe, imagino o convite ao regresso a terra firme, acompanhado de um certo linguarejar bem português, que se faz sentir depois das grandes tempestades. 

sábado, 13 de julho de 2013

A preto e branco






Chamaram-me, um dia, platónica. O meu corpo encolhia-se, escondido de tanto tremer. - Não sou!, pensava, naquele reflectir rápido de quem recusa aceitar o que o latejar do sangue nega.
No entanto, agasalhei muitas vezes a realidade em filmes por estrear, construídos e vividos no calor dos sonhos e das noites.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Porta


"A minha mãe e o meu pai partiram um dia carregados de malas e roupas, livros, louças e talheres, sei lá que mais...andaram, andaram, até que chegaram a um sítio muito estranho e vazio. Ou melhor, quase vazio.

- Aqui não há casa nenhuma! -disse a minha mãe, olhando em volta muito aflita.

O meu pai apontou um mapa.

-No entanto, está perfeitamente claro. A nossa casa nova é aqui.

- Mas aqui só há uma porta... Não tem nada de um lado nem do outro. Para ser uma casa era preciso que houvesse janelas, paredes e teto.

- Uma porta é um bom começo.

O meu pai era um sonhador. Bastava-lhe uma nuvem para ver o desenho de um coelho ou de um dinossauro, bastava-lhe uma flor para ver um jardim, bastava-lhe uma porta para inventar uma casa.
...
"A Porta" um conto de José Fanha

terça-feira, 25 de junho de 2013

Encontro

O Carlos entra no carro e diz-me...

- G..., põe a canção do amor...

e eu faço-lhe, com gosto, a vontade!

Baixa Chiado


sexta-feira, 7 de junho de 2013

à espera da chuva

um dia hei-de procurar-te depois de um inverno rigoroso. Talvez nem te reconheça. Terás folhas verdes nos ramos e flores brancas aos pés.

nesse dia, não vou perguntar-te por mim, mas descansarei na tua sombra.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Musqueba - Dia de Africa



Contou-me, então, que a sereia e o príncipe casaram e tiveram muitos ovinhos...

Entretanto, as mulheres que a acompanhavam, assumiam a militância de quem quer ter uma voz na construção de uma nova Guiné.

A história faz-se, como sempre, de príncipes e de sonhos...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Segunda história com sapos




Em criança contavam-lhes a história do príncipe que fora transformado em sapo, até ao dia em que uma menina viesse tirá-lo do lago e lhe desse um beijo.

As meninas cresceram à procura de quebrar aquele feitiço.

Mas ,até hoje, sapo é sapo!


(discurso feminista do princípio do séc.XXI)  

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Primeira história com sapos



"É no falar que se revelam os príncipes, e no coaxar que os sapos se denunciam".

José Eduardo AguaLusa "Conjura"

quinta-feira, 16 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alentejo em Maio


Se mais não levasse da vida, guardaria as cores e os cheiros das paisagens do meu país.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O petisco e a crise



... já sei que a fotografia não é lá grande coisa, mas só quero recordar que a tasquinha nem era má, os pastéis é que eram poucos!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Em boas mãos


Encontrar o riso esquecido,despreocupado, num dia de vento e frio. Sentir o prazer da mesa,da sopa de couves, do peixe frito com batatas cozidas.

Estar entre amigos, foi bom!

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Pavão




Pergunto-me o que faltará a esta ave para, quando pretende cortejar a fêmea, ter tido necessidade de desenvolver uma tão desmesurada estratégia de cor e beleza.

Sombras do jardim


Quem fez ao sapo o leito carmesim
de rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
e perfumou as sombras do jardim?

Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu esses cabelos de rainha
ao girassol? Quem fez o mar? E a minha alma
a sangrar? Quem me criou a mim?

Quem fez os homens e deu vida aos lobos?
Santa Teresa em místicos arroubos?
Os monstros? E os profetas? E o luar?

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
-sem nos dar braços para os alcançar?

Florbela Espanca "Charneca em Flor"