As pequenas histórias são, também, a nossa maior história. Escrevo mais esta para não esquecer...
Onde eu trabalhava, aparecia diariamente um homem que sofria de uma qualquer deficiência mental que não o impedia de nos prestar pequenos serviços (levar o correio, comprar o jornal...). Era acarinhado por todos e, sabíamos, protegido pelo sindicato que, inclusive, lhe dava dormida num sótão da sede.
Gostava, particularmente, de mim e eu correspondia como podia e sabia.
Passaram-se muitos anos, já eu mudara de trabalho e profissão, já esquecera o nosso homem, quando um antigo colega me veio entregar um poster, tamanho "gigante", com a minha cara quando jovem e ainda "bem parecida".
Explicação dada, o sindicato tinha oferecido, ao meu amigo, na brincadeira, uma reprodução gráfica do meu retrato que este conservara na parede até à hora da morte.
Não me lembro do seu nome e recordo tantos outros que nunca o mereceram.