segunda-feira, 28 de abril de 2014

40 anos depois



Trova do vento que passa


Pergunto ao vento que passa / notícias do meu país/
e o vento cala a desgraça/ e o vento nada me diz ...

Manuel Alegre

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Rio Tejo



O que por palavras nos está oculto
no silêncio crepita
em intimidade



José Tolentino de Mendonça

Pixel Pancho e Vhils em Lisboa



sábado, 19 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Rio Tejo


As velhas estruturas desaparecem. A história conta-se com cores e cheiros de alfazema. A memória física dos ancoradouros e das casas que cresceram com a madeira velha dos desperdícios, perdeu-se num amontoado de escombros. Estamos num espaço recreado, limpo, liofilizado.

A cidade e os homens ganharam hoje um lugar onde usufruem da união da terra e do rio.
Mas Ti Luisa, que "fez filhos nos embalos da maré", não se reconhecerá naquele espaço.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Jovens (des)crenças



O Carlos diz saber que Jesus existiu, mas afirma não acreditar que, depois, tenha voado e esteja no céu.

O Diogo certifica que o Carlos é um ateu existencial.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Primavera


Nunca a minha rua acordara ao som de uma música que soava a Paris, tocada por um homem já velho que se recusava a olhar as janelas vazias.
Uma melodia que anunciava a primavera, num gesto oferecido pela pobreza da cidade.
Não sei a estória deste homem. Sei que, depois de tocar e apanhar algumas, poucas moedas, guardou devagar, mesmo muito devagar, cada um dos seus pertences. Embrulhou cuidadosamente o acordeão, levantou e dobrou a caixa que lhe servia para pousar o pé, a placa de madeira e partiu, em silêncio, de mochila às costas.

Parecia ser a primeira vez que se atrevera a usar o acordeão como ferramenta de sobrevivência. Não sei se algum dia regressará.

Para mim, nessa manhã, começaram os dias mais longos, com o sol e a luz belíssima de Março.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Inverno



Que todo o amor  grite ao morrer, que os sinos toquem  a rebate e as carpideiras chorem viradas ao céu...

porque nunca, mas nunca, o amor deve morrer calado.

domingo, 9 de março de 2014

A poesia também se come




"Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria."


Almada Negreiros "A invenção do dia claro"







"porque eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura..."



Alberto Caeiro "Guardador de Rebanhos"



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A raiz da escrita

Uma língua no cume
do olhar
para dizer a ciência
que há
na árvore da viagem
da raiz
à semente

Fora da casa
e por dentro
sempre
onde haja um telhado
sobre o silêncio

Um rosto
Um rio
Um poço

A gota de água
Duma sílaba

 "Os amigos" de "O sol no tecto", Renato Monteiro


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nazaré


Um homem, frente ao mar, bebe lentamente uma cerveja, enquanto observa a força das ondas.

Às vezes é necessário estar só!


Rio Tejo


Gente avieira que, no interior de um barco, lançavam e recolhiam as redes; faziam o lume; amavam e cortavam o cordão umbilical aos filhos que pariam.

Hoje, já velhos, acariciam as embarcações à borda de água.

Ti Elisa diz-me:

...olho o rio e falo com as minhas recordações. Às vezes choro!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O ano do cavalo


As comemorações do ano novo chinês, ano do cavalo, reuniram esta comunidade na praça do Martim Moniz.

Mas a China, como tudo que se não compreende, é uma realidade ainda estranha no corpo do meu país.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Coisas estranhas

Ainda não se sente o cheiro de uma nova estação, como não se sente este país pequeno e resignado que parece impotente e adormecido. Talvez este sentimento se agarre à nossa alma e nos faça, como diz uma amiga minha, doente da vontade. Doente da vontade para sentir, para ver, para partilhar…


Até as gaivotas fugiram do mar e pousam nos jardins desta cidade. Há muita coisa estranha neste novo século. 

Só a música que toca ali, no canto da sala, nos faz acreditar que há gente que permanece. A voz do Zeca Afonso, a Cristina Branco, a Cesária Évora e, agora, o Charles Aznavour. ..

Fundação Champalimaud


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Estilos e ironias


 A casa, a nossa segunda pele, fala-nos do que somos e de quem gostaríamos de ser. Isto é mais visível nos bairros clandestinos onde cada um, conforme o gosto e os materiais ao dispor, vai construindo o seu universo e os seus sonhos.


Completa-se o quadro, ainda, quando as ruas têm o nome de avenidas e a pobreza sorri por se sentir milionária.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Folhas escritas




                     Que fazer a tantas folhas escritas que ninguém leu?
                                  Silêncios que não consigo rasgar.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Praia da Adraga


Ainda hoje as pedras, como as nuvens e as árvores,  nos surpreendem com desenhos que alimentam o nosso imaginário. São, muitas vezes, metáforas perfeitas para falar de medos e desejos.

Também o mar surpreende, quando nos oferece, sem aviso prévio, o primeiro banho de 2014.

Praia da Adraga


domingo, 5 de janeiro de 2014

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Alegria 3

A par do ano que se despede, o tempo passa rapidamente. Guardo alguns intervalos para brincar com a tradução de um artigo que me vai relembrando o francês esquecido. Agradeço ao Karim.

... e quando não vimos a objetiva da máquina fotográfica porque somos um só, nós e o livro, qualquer ano novo terá bons momentos de alegria.

Alegria 2


Alegria 1



domingo, 22 de dezembro de 2013

Curiosidade de gente



Hoje foi o dia das cadeiras novas e dos animais com história. Comprámos uma galinha viva. O Carlos achou uma notícia destas tão estranha, que precisou de confirmar comigo. Ainda mereço, ao contrário do avô, alguma credibilidade.
Prometi abrir-lhe a porta do carro, de mansinho, e deixá-la fugir para a liberdade do campo alentejano.


Agora, como explicar "aquele prato" no menu de natal?


sábado, 21 de dezembro de 2013

Solstício de Inverno



Há semanas que, por falta de limpeza camarária, as ruas da minha cidade brilham com as folhas amarelas de um outono que se despede devagar.
Hoje, numa dessas ruas sem nome nem história, um vento fortíssimo levantou aquele tapete de cor e as folhas dos meus plátanos dançaram, dançaram, em volta de gente e de carros.
Despediu-se o outono numa das mais belas e inesperadas imagens a que assisti. Foi tão belo que teve, necessariamente, que ser breve.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Maré Cheia




quando os teus olhos se perderem no interior de ti, procura um lugar onde o mar rebente na praia.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

SE...

“si j´etais soluble dans l´eau, tel un savon de vieux lavoir, je me laisserais fondre ici, rejoignant la mémoire du lac e ses molécules brassés qui ont visité l´univers. Un peu de moi  aurait la pertinence de la pluie qui ruisselle sur la Dent d´Oche; un peu de moi serait mêlé à la nourriture des perches qui garnissent vos plats. J´entretiendrais vos nerfs, vos muscles e je saurais vos émotions. Enterré avec vous, j´irais engraisser des vers de terre que les merles  extirperaient voracement. Évaporé dans l´air, j´appartiendrais modestement à la fulgurance des éclairs, à l´embrasement des couchants et je neigerais sur la ville.”


Pierre –Laurent Ellenberger  (post de Katchdabratch 29 de Novembro de 2013)

Marcas




Madiba, um nome que marca a diferença.
Um riso branco a iluminar o céu.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

o banco e o mar


Um encontro a cinco, frente ao mar, em que se misturam geriberas com cana de bambu, crina de cavalo, saudades e solidariedades (diz a Cris), é uma dádiva dos deuses em tempo de crise…

A vida joga-se, também, aqui.