sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os meus anos -"A guerra dos aldeões da luz com os da escuridão"


... lembro aquele pedido do Carlos quando entrava no meu carro "G... põe a canção do amor!".
Há muito tempo que não repete o pedido. Perguntei-lhe se não a queria ouvir de novo, ao que me respondeu:

- Não, já não gosto de canções de amor!
    porquê ? perguntei eu, assustada...
- Porque me fazem arrepios!, respondeu.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Outras festas



"Quando Frantiska não estava a ver, quando as sombras se alongavam ao fim da tarde, Sors esticava os lábios e via a sua sombra tocar a sombra de Frantiska.
Quando Frantiska encostava os lábios ao vidro para os embaciar e depois escrever o seu nome, Sors, depois dela sair, encostava os lábios  ao mesmo pedaço de vidro embaciado com o nome dela.Um dia o pai entrou na sala quando ele beijava a janela.
Quando Frantiska deixava um pedaço de comida, Sors trincava o bocado que estivera nos lábios de Frantiska. Mastigava beijos, dizia Sors. Engoliu inúmeros ao longo da vida."

Afonso Cruz, "O Pintor debaixo do lava loiças"

Festa Ganchera





Kantos da Terra


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Amor



" O amor, dizia Sors, é uma casa sem telhado, pois quando olhamos para cima vemos o céu.
Era por isso que Sors se deitava tantas vezes no chão, a olhar para cima. O pai repreendia-o".

Afonso Cruz " O Pintor debaixo do lava loiças"

domingo, 20 de julho de 2014

Novos oráculos


                                           
                                                       Seria bom chorar, como antigamente, por nada!


domingo, 15 de junho de 2014

Barcos tradicionais no Tejo


"... o rio nunca se arrepende e nunca volta para a nascente.Quando resolve desaguar é como o tempo.Ambos correm em direcção ao mar e nunca voltam para trás. Imagino como será o mar do tempo onde os rios desaguam. Imagino os séculos de coisas que se acumulam e os peixes fabulosos que nadam nessas águas.Está lá todo o passado e todo o futuro, tudo ao mesmo tempo...

Afonso Cruz in "O pintor debaixo do lava-loiças"

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Namorados de Lisboa

O Carlos continua a surpreender-me. Agora, num teste da escola, à pergunta "como se reproduzem os humanos" respondeu:

- Namorando.

A professora riscou, emendando para "da barriga da mãe".

O Carlos tem razão e a professora não esteve ao seu nível.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

25 de Abril - o cravo


40 anos depois



Trova do vento que passa


Pergunto ao vento que passa / notícias do meu país/
e o vento cala a desgraça/ e o vento nada me diz ...

Manuel Alegre

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Rio Tejo



O que por palavras nos está oculto
no silêncio crepita
em intimidade



José Tolentino de Mendonça

Pixel Pancho e Vhils em Lisboa



sábado, 19 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Rio Tejo


As velhas estruturas desaparecem. A história conta-se com cores e cheiros de alfazema. A memória física dos ancoradouros e das casas que cresceram com a madeira velha dos desperdícios, perdeu-se num amontoado de escombros. Estamos num espaço recreado, limpo, liofilizado.

A cidade e os homens ganharam hoje um lugar onde usufruem da união da terra e do rio.
Mas Ti Luisa, que "fez filhos nos embalos da maré", não se reconhecerá naquele espaço.