Dizem que reconheço um castanheiro em qualquer azinheira. Talvez. Mas o que se ama nem sempre é nomeável. Ama-se, simplesmente. Tentei, por várias vezes, aprender-lhes os nomes, conhecer as diferenças, mas em vão. O que eu guardo dos meus castanheiros, sejam eles sobreiros, abetos, choupos ou salgueiros, é do seu canto quando os pássaros se recolhem no final do dia, é do cheiro a verde e terra, é da sua sombra … e, também, dos corpos que fingem ser, descarnados e humanizados quando secos ou quando morrem.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
A raiz do castanheiro
Dizem que reconheço um castanheiro em qualquer azinheira. Talvez. Mas o que se ama nem sempre é nomeável. Ama-se, simplesmente. Tentei, por várias vezes, aprender-lhes os nomes, conhecer as diferenças, mas em vão. O que eu guardo dos meus castanheiros, sejam eles sobreiros, abetos, choupos ou salgueiros, é do seu canto quando os pássaros se recolhem no final do dia, é do cheiro a verde e terra, é da sua sombra … e, também, dos corpos que fingem ser, descarnados e humanizados quando secos ou quando morrem.
sábado, 9 de novembro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
Caminhos de Ourém
- Pai, quero ir à catequese.
- Carlos, mas sabes o que é a catequese?
- sei, deve ser, assim, como o McDonald´s!
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Vila Nova de Ourém
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Bons sonhos
Uma mulher é entrevistada na marginal do Funchal.Vem fugida ao
fogo que lhe cercou a casa. Fala do medo e, entre lágrimas, acrescenta:
"... aprendi, esta noite, que
uma vida inteira cabe nestes quatro sacos que trouxe comigo".
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Passeio à Beira
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Interlúdio "O meu Avô e o amor em 1910"
O meu avô morreu era eu pequena. Deixou-me a avó Hermínia, avó Bibi para o meu filho. A mais terna das mulheres que conheci. Não tenho dela fotografias, mas tenho sensações de protecção, do seu calor materno e, para a pequena estória pessoal, postais e desenhos vários que o amor lhe deixou.
Do meu avô sei que era laico, republicano, além de um homem bom e de princípios morais fortes. Sempre o vi como a referência dos vivos, naquela casa onde senti e aprendi a crescer.
Apeteceu-me trazê-lo aqui. Tirá-lo da gaveta. E com ele, recuperar a sua relação com a minha avó Hermínia. Ter a ilusão de a tornar menos perecível.
Recuar no tempo...
Talvez, também, recuperar parte de mim.
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Augusto de Miranda Victor
domingo, 15 de setembro de 2013
O meu avô
Nas pétalas d' uma flôrPerguntei-lhe:
Alva, gentil, graciosa e bella
Flôr singela de perfume celeste
Que aroma mimoso! Que linda tu és!
Cahida a meus pés... D' onde vieste?
Respondeu-me:
O dever de flôr impõe-me segredo,
Mas acabe esse medo, tyrano preceito
Voei do jardim que a tua alma adora
Encontro-me agora sobre o teu peito.
Num seio casto outr´ora dormi,
D´elle pendi como rôxa glycinia
Agora perfumo o teu coração
Como recordação de ....Maria Hermínia
A flôr que recebi na noite de 4/4/1910
Augusto
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Poema escrito para a minha avó Hermínia
O meu avô (parte 1)
Songe d´Amour
Tristes flôres que a morte espreita
A quem a vida ceifei na pujança
Mimoso perfume, que assim me deleita
Dispersas no colo, pendidas na trança
Pobresinhas e tristes que ides mirrar
No seio, inclemente que, audaz, vos cortou
Se lágrimas de dôr vos podem salvar,
brotem aquellas que a innocência calou
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1910,
Poema escrito para a minha avó Hermínia
O meu avô (parte 2)
De repente um sorriso nos lábios brincava
Quebrando a dor num peito divino
E um coro de flôres, ternamente, bradava:
Não chores. Q´importa?...É nosso destino...
Ah! Já não posso contemplar-vos mais...
Dói-me o coração de vos ver assim...
Os primeiros olhos que lêrem meus ais...
Que vos levem a vós e me abandonem a mim...
Augusto
11-6-1910
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Poema escrito para a minha avó Hermínia
domingo, 8 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
Síntese
Habito, sem me decidir, entre o prazer de uma literatura poética,
lírica ou mesmo fantástica, e uma outra, que reflete uma visão seca e dorida do
quotidiano, do tempo e da vida.
Entre estas duas, aprende-se a evitar a escrita.
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Fundação Champalimaud_Belém_Lisboa
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
domingo, 1 de setembro de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Jogo de espelhos
Pergunto-me se será no início, e no fim da vida, que temos mais tempo para fazer sínteses.
O Carlos é a minha janela para o riso.A descoberta que faz da vida, diariamente, contagia-me.
Muito sério, disse-me:
"G...tu ainda não és velhinha! As velhinhas fazem sempre assim: apertam-nos as bochechas e dizem:
- Olá, estás bom? És muito giro!"
... portanto, nunca se aperta as bochechas a uma criança!
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Adriana Molder,
Almada,
Casa da Cerca
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
A noite no alentejo
Aqui, no Alentejo, vejo um avião atravessar Orion.
Vejo uma imensidão de estrelas e constelações a brincarem comigo, lá no firmamento... juntá-las, dar-lhes nome, é um jogo entre mim e o céu.
Não, não é este o mesmo céu que cobre a minha cidade.
Não é!
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Costa Vicentina 2013
domingo, 28 de julho de 2013
Há lodo no Cais - 1
Maré baixa. Dez da manhã. Um convite para uma fotografia
diferente a partir das areias a descoberto.
Há quem, com o jeito de uma certa modernidade concorrencial,
se aventure demais e não meça a consistência do solo… aí, meus amigos, quem
chega tarde, como eu, perde a oportunidade de uma reportagem completa sobre os
riscos e perigos desta vida.
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Lisboa Cais das Colunas
Há lodo no Cais - 2
Dizem, pelo cais, que o fotógrafo se afundou na lama até onde as pernas terminam (confirmei, como se verifica), levantando ao ar a máquina, qual Camões a salvar as rimas.
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Cais das Colunas,
Lisboa
Há lodo no Cais - 3
Mas, com o jeito que o desespero empresta, lá saiu o nosso
homem do lodo e regressou, apoiado palas vozes de nacionais e estrangeiros, gente
anónima que logo o convidou...
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Cais das Colunas,
Lisboa
Há lodo no Cais - 8
E num “pas de deux” gracioso, comprometeram-se aos mais rasgados
elogios a qualquer fotografia que um ou outro publicasse ou imprimisse,
evitando assim os perigos da malfadada concorrência.
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Cais das Colunas,
Lisboa
Há lodo no Cais - 9
Neste gesto último, que registei ao longe, imagino o convite
ao regresso a terra firme, acompanhado de um certo linguarejar bem português,
que se faz sentir depois das grandes tempestades.
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Cais das Colunas,
Lisboa
sábado, 13 de julho de 2013
A preto e branco
Chamaram-me, um dia, platónica. O meu corpo encolhia-se, escondido de tanto tremer. - Não sou!, pensava, naquele reflectir rápido de quem recusa aceitar o que o latejar do sangue nega.
No entanto, agasalhei muitas vezes a realidade em filmes por estrear, construídos e vividos no calor dos sonhos e das noites.
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Lisboa,
montra de Susana Agostinho
segunda-feira, 1 de julho de 2013
A Porta
- Aqui não há casa nenhuma! -disse a minha mãe, olhando em volta muito aflita.
O meu pai apontou um mapa.
-No entanto, está perfeitamente claro. A nossa casa nova é aqui.
- Mas aqui só há uma porta... Não tem nada de um lado nem do outro. Para ser uma casa era preciso que houvesse janelas, paredes e teto.
- Uma porta é um bom começo.
O meu pai era um sonhador. Bastava-lhe uma nuvem para ver o desenho de um coelho ou de um dinossauro, bastava-lhe uma flor para ver um jardim, bastava-lhe uma porta para inventar uma casa.
...
"A Porta" um conto de José Fanha
quarta-feira, 26 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Encontro
O Carlos entra no carro e diz-me...
- G..., põe a canção do amor...
e eu faço-lhe, com gosto, a vontade!
- G..., põe a canção do amor...
e eu faço-lhe, com gosto, a vontade!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
à espera da chuva
um dia hei-de procurar-te depois de um inverno rigoroso. Talvez nem te reconheça. Terás folhas verdes nos ramos e flores brancas aos pés.
nesse dia, não vou perguntar-te por mim, mas descansarei na tua sombra.
nesse dia, não vou perguntar-te por mim, mas descansarei na tua sombra.
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